sexta-feira, 2 de novembro de 2007

por Beatriz Caetana - Cruzeiro

Uma pequena parte do meu Tcc

Epígrafe

Estou ouvindo Radiohead e isso me satisfaz. Sua melodia introspectiva e ruídos únicos, isso me satisfaz. Minha mente perturbada pela letra humana e sincera, ainda me satisfaz. Sua voz triste não é mais triste para mim, porque todo seu conjunto me satisfaz. Posso imaginar o que puder quando ouço essa música, posso lembrar o que puder quando entro no universo desta música, pois com ela me satisfaço. A música agora é um mero alicerce para que o meu desejo de satisfação seja saciado, eu virei o personagem da minha própria procura. Eu sou eu.


Eu interfiro como puder em cada partícula sonora. Não me levo a sério, pois só tenho ouvidos para essa música. Eu levanto, aperto o botão vermelho e repito a mesma música, pois dela necessito, dela me satisfaço. No alarms e no surprises, é isso que ele tenta me dizer, mas sinceramente não presto atenção em cada palavra que ele ousa sussurrar em meus ouvidos, pois só necessito da melodia.


Seu ritmo contrabalanceia com as notas que ficaram marcadas na minha cabeça. Eu posso senti-la agora. Aumento o som, no mais alto que esse aparelho velho pode aumentar, no melhor momento, ele canta para mim de novo, No alarms e no surprise, please. Isso é satisfação. Eu sou a música agora, sou introspectiva, sou sincera, sou surreal. Meus detalhes acompanham os menos de quatro minutos que a música pode me oferecer.


Olho para o aparelho e o CD continua rodando, como um vício, ele só pára quando eu quiser e nesse momento eu juro que não quero.
Você pode ouvir a música e nunca sentir o que estou sentindo, mas pode ler o que escrevo e imaginar minha satisfação, mesmo nunca tendo ouvido essa música na sua monótona vida. Parabéns, você entende o que é o gonzo agora.


Beatriz Caetana
graduanda em Jornalismo
msn: biacramos@hotmail.com

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